Stray Kids no Rock in Rio - 09/2025
por Julia Defávari

(Foto: Arquivo pessoal/Julia Defávari)
Quando me tornei jovem adulta entendi que não sou o tipo de pessoa que serve para ir a festivais. Nunca tinha ido, mas percebi que também não fazia questão. Me entristecia ver artistas que gosto muito nas line-ups dos maiores eventos do ano? Claro. Mas nada que me motivasse a sair de casa, passar o dia inteiro em um festival tomando chuva e sol e possivelmente me submetendo a shows de artistas que nem gosto.
Até que... o Stray Kids aconteceu.
Anunciado no fim de 2025 como o headliner de um dos dias do Rock in Rio, Bang Chan, Lee Know, Changbin, Hyunjin, HAN, Felix, Seungmin e I.N me fizeram morder a língua e confirmar presença no festival.
O primeiro fim de semana do evento e os próximos dias que antecederam ao dia 11 de setembro - dia com palco mundo dedicado ao K-pop, na Cidade do Rock - foi de muita chuva no Rio de Janeiro transformando todo mundo em profissionais na arte de escapar de chuva: saquinho plástico no pé, capa de chuva de botão, pochete a prova d'água e mapa mental com as atrações cobertas no local. Felizmente, tudo em vão! A chuva persistiu apenas até a hora do almoço e depois deu espaço pro sol e ventinho perfeitos para ficar ao ar livre!
Além do Stray Kids, o palco mundo teve as apresentações de NEXZ, Hwasa (MAMAMOO) e Alok.
Uma pausa aqui só pra falar que foi muito querido ver os NEXZ se divertindo e aproveitando o show tanto quanto os fãs, sentir como eles estavam felizes e acompanhar pelas redes sociais as emoções que eles também estavam vivendo! Assim como poder presenciar as personalidades Hwasa, Hyejin e Maria - respectivamente nomes de palco, de nascimento e de batismo da artista - curtindo e recebendo todo o carinho que ela merece me trouxe tanta alegria! Espero que eles tenham sentido todo o amor que apenas o público brasileiro pode dar e que voltem logo!
Após muita espera, junto da meia-noite chegou aquele frio na barriga, vontade de chorar, um misto de emoções e só nos restava aguardar a entrada do grupo, que seria a qualquer segundo.
Assim que começaram as primeiras notas de TOPLINE, éramos mais de 100 mil pessoas dividindo o mesmo sentimento de euforia. Impossível mensurar. E a energia só foi crescendo conforme eles adicionavam à setlist algumas de suas melhores pedradas como S-Class, DOMINO, Thunderous, God's Menu, Chk Chk Boom, entre outras - além de uma queridinha minha, DIVINE, que me fez transcender com os gogós ao vivo do Bang Chan e do Seungmin - chegando até sua title mais recente This & That.

(Foto: Arquivo pessoal/Julia Defávari)
Um dos pontos altos da noite foi a performance de Side Effects, uma das músicas mais barulhentas do Stray Kids. Mas digo isso com o maior carinho que tenho por eles, porque ô panelaço bom! Com uma versão remixada, o grupo entendeu direitinho a energia do festival e do público presente mostrando como seu "barulho" pode mover uma multidão inteira!
Ainda em clima de bagunça, Stray Kids trouxe a versão KARMA de CEREMONY e a versão festival de Do It, This & That e Chk Chk Boom, intercaladas com as icônicas Stray Kids, After You (música amada que nós os brasileiros já oficializamos que foi feita para o Brasil, SIM), Run It e MIROH.
Com muita provocação e brincadeirinhas, os oito integrantes do grupo ficaram ameaçando ir embora, recebendo vários "Eu não vou embora" e dedinho balançando em negação como resposta. Até que a coisa mais maluca que NINGUÉM poderia imaginar aconteceu. Stray Kids realmente perguntou ao público com que música gostaríamos que eles terminassem o show. Pela primeira vez - e provavelmente última, rs - todos os fãs presentes concordaram com alguma coisa e pedimos em conjunto uma performance de Hall of Fame.
Fico arrepiada e com os olhos marejados só de me lembrar das reações de todos a minha volta - e também dos meninos em cima do palco - quando Bang Chan soltou: "Brazil, you want Hall of Fame?" (Brasil, vocês querem Hall of Fame?) com um sorriso que poderia iluminar a Cidade do Rock inteira.

(Foto: Arquivo pessoal/Julia Defávari)
Viver esses momentos e essas emoções foi uma das experiências mais malucas de minha vida - e tenho certeza que também das vidas dos oito artistas em cima do palco que vieram ao nosso país prontos para receber o amor que sabiam que entregaríamos e para retribuir como pudessem. Apenas um comentário solto sobre o Bang Chan ficar tão insano que arrancou a camisa fora do script e apesar de eu ser inimiga dessa skin dele, não posso julgá-lo por não saber lidar com tantos sentimentos.
O show acabou com gostinho de quero mais - porque nunca será suficiente - e a sensação de que todos nós que estávamos presente ali fomos transformados. Uma chavinha foi virada e, se After You era do Stray Kids para os fãs brasileiros, a partir de agora com certeza também será do Brasil para o Stray Kids.
Passar o dia no Rock in Rio confirmou o que eu já imaginava: não sou MESMO o tipo de pessoa que serve para ir a festivais. Mas faria tudo de novo para ver o Stray Kids e sentir o que apenas eles conseguem me fazer sentir.



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