Recomendados do Mês - Agosto de 2026
Se em um mês viemos com realities que vocês não podem perder, nesse, trazemos três comebacks pra deixar todo mundo animado por um lado, como o do ENHYPEN, mas também reflexivo, como os de Silica Gel e wave to earth. Prontos pra mergulhar nesse misto de sensações?
Então leiam tudinho logo a seguir!
THE SIN : BLISS, ENHYPEN
Indicado por Tham Sanchis
Aproximadamente cinco anos atrás, fui arrebatada para vida de engene e tudo começou a fazer mais sentido dentro dela no total. O ENHYPEN me trouxe luz, alegria, felicidade e uma paz que nenhum outro grupo, banda ou artista no mundo poderia me dar. Fiz essa constatação pouco antes de embarcar para São Paulo pro show deles e acredito fielmente nisso. Então ver esse comeback deles, com a data do lançamento tendo sido divulgada no show de SP, está sendo uma montanha russa de emoções das mais gostosas que eu poderia andar.
O THE SIN : BLISS nasceu e já entrou na cabeça de todo mundo quando o refrão da faixa título Bloody Paradise começou a ser divulgada nas redes sociais em um snipet mais de um mês antes de vir ao mundo. Com uma batida abrasileirada, que lembra funk, óbvio que já consagramos como uma homenagem a gente, né? Aliás, o centésimo show deles foi no Brasil e a data do lançamento, como disse, foi divulgada aqui! Esse momento é nosso!
Mas eu não esperava que receberíamos uma música tão gostosa como Bloody Paradise e muito menos que haveria um feat com a cantora brasileira Luísa Sonza — incrível, por sinal! Agora, o que falar das músicas que acompanham esse mini álbum? É uma melhor que a outra! Completamente viciantes, vou tentar desmembrar um pouco da ideia do que eles passam nesse álbum para vocês.
Ele começa com a deliciosa Two Fools, música que já demonstra em sua letra que a lore deles ainda está vivíssima, fazendo referência ao "viver intensamente o presente" — lema que eles trazem desde o ORANGE BLOOD — e deixando-os serem tomados pela vontade de viver o momento que está acontecendo agora. Claro, em vibes românticas. Stuck lembra um pouco mais dos temas trazidos no DARK BLOOD, de um romance perigoso, no qual o próprio perigo é uma das pessoas do casal; quase um romance proibido, mas que eles querem viver, criando um paradoxo... Já ouviram essa palavra antes? Pois é, parece que as referências nesse álbum à músicas e temas de álbuns passados foi bem proposital — in my honest opinion.
Agora uma pausa aqui para eu falar da maior do álbum que — me perdoem as outras músicas! — foi difícil de escolher, mas é a mais pura verdade. Bad For You, pode entrar! O que é o yearning (anseio) dessa música? Os dois amantes que são descritos nela lutando para não estar juntos, mas um imã os puxa e mantém essa ligação acesa... Caraca, ENHYPEN. Caraca. Que interpretação! Que vozes! Eu tiro o meu chapéu todo dia para vocês.
Ainda assim, tenho muito a falar sobre Checkmate e Highlight. A primeira claramente fantasia um jogo de xadrez, onde estamos na última jogada para acabar com a brincadeira e ganhar. Check, check e check! A segunda traz um final explêndido pro álbum quando eles falam que esse é o melhor momento deles. O ENHYPEN se apropria completamente dessa música quando ela descreve de modo meticuloso o que eles passam por agora. É um grito de guerra que já faz a gente ansiar pelo próximo passo deles na indústria da música.
Pra finalizar esse super texto, preciso destacar algo que eles conquistaram com esse álbum, depois de quase seis anos de carreira: o Grand Slam, que é quando um grupo fica em primeiro lugar em todos os cinco programas musicais semanais da Coreia do Sul na mesma semana. Preciso dizer que tô morrendo de orgulho deles? Acho que não, né...
Então vão lá escutar essa belezinha que vocês vão entender tudo que eu quis dizer aqui. Eles se reinventam a cada álbum e é lindo de ver!
BALLAD OF YOU, SILICA GEL
Indicado por Daniela Seles
Uma das coisas que mais gosto em Silica Gel é o fato deles estarem sempre trazendo um som experimental e em Ballad of You, terceiro álbum da banda sul-coreana, essa experimentação está presente também. Aqui, guitarras distorcidas, sintetizadores (tipo, muuuuito), ruídos e mudanças de ritmo compõem músicas que transitam entre um rock alternativo, a psicodelia e a eletrônica. E é justamente essa imprevisibilidade que torna a música deles e, consequentemente, esse álbum também tão interessante porque você não sabe exatamente o que vem a seguir.
Pra mim, eles conseguem criar um universo muito único e quase palpável, com sons cheios de texturas e estruturas que fazem a gente mergulhar nesse novo mundo que a banda está criando. E gosto de como o álbum vai mostrando diferentes lados desse universo ao longo das 12 faixas: tem a energia de Melatonin 88mg (essa aqui uma das minhas favoritas, inclusive, porque nós mulheres que tomamos melatonina), os momentos curtinhos e quase de passagem de Crybaby e Crime Scene, e músicas como You Just Wanna Have Fun, Up Quark e Acciden”, que continuam brincando com essas mudanças de textura, ritmo e atmosfera. Metamorphosing e Postpink são outras que gosto bastante e ajudam a mostrar como o álbum consegue ir para lugares diferentes sem perder sua identidade. Mesmo nos momentos mais caóticos, existe uma atenção enorme aos detalhes, e é claramente um caos muito organizado. Cada detalhezinho é colocado ali para ampliar o universo que eles estão construindo não só no álbum, mas ao longo de toda a sua discografia.
E acho impossível falar desse universo sem mencionar também os clipes, ainda mais porque sou trabalhadora do mundinho audiovisual, hehe. Silica Gel sempre teve uma identidade visual muito forte e aqui eles conseguem traduzir para as imagens a mesma estranheza e experimentação que existem nas músicas. Isso também conversa com o próprio conceito visual de Ballad of You, construído em torno da ideia de “sair da casca em espiral”, que encontra uma de suas referências Phoenix, de Osamu Tezuka*. A banda já vinha desenvolvendo a ideia de Spiral Molting (螺旋脱殻, Nasen Dakkaku) e encontrou em Phoenix uma maneira de articular essas ideias de reencarnação e circularidade.
Essa referência atravessa tanto o processo de criação do álbum quanto seus elementos visuais. Nos clipes de Manphasickzuck e Dr. BOB, assim como em Molecular Gastronomy e BIG VOID, esse universo ganha uma dimensão quase física, com imagens surreais, estranhas e às vezes até difíceis de explicar, mas que fazem todo sentido dentro da lógica da banda. As texturas, os ruídos e as mudanças inesperadas que a gente escuta também parecem existir visualmente. E talvez seja isso que eu mais goste no Silica Gel: eles não parecem pensar em música e imagem como coisas separadas, mas como partes de um mesmo universo.
Ballad of You é, acima de tudo, um ótimo convite para quem ainda não conhece uma das bandas mais inventivas da atual cena alternativa sul-coreana. É um disco estranho, mas na medida certa, e que revela alguma coisa nova a cada vez que você escuta. Toda vez que eu escuto, percebo algo novo e que não tinha reparado antes e isso me faz ficar ainda mais admirada com o trabalho deles. Silica Gel é pra quem realmente gosta de música e quer descobrir novas possibilidades.
*Osamu Tezuka (1928-1989) foi um dos nomes mais importantes da história do mangá e da animação japonesa, responsável por obras como Astro Boy, Black Jack e Phoenix. Esta última - considerada uma das obras centrais de sua carreira - acompanha diferentes personagens e períodos históricos a partir de temas como vida, morte, imortalidade e reencarnação. Em Ballad of You, Phoenix aparece como uma das referências para o conceito de Spiral Molting (“sair da casca em espiral”), criado pelo Silica Gel para pensar a ideia de ciclos não como uma repetição que retorna sempre ao mesmo ponto, mas como um movimento que continua avançando e se transformando.
BAD PIECES, WAVE TO EARTH
Indicado por Daniela Seles
Todos nós sabemos que wave to earth faz da melancolia um lugar confortável e tornou isso uma de suas maiores assinaturas, mas bad pieces mostra que ainda existe muito espaço para explorar dentro dela. O novo álbum da banda mantém aquela atmosfera suave e sonhadora que tornou a banda conhecida, mas expande sua sonoridade com novos instrumentos e texturas. bad pieces soa familiar sem parecer repetição. É claramente um álbum de wave to earth, mas um pouco mais maduro, curioso e disposto a experimentar
Os próprios integrantes falam sobre esse trabalho como um disco feito enquanto se aproximam dos 30 anos e percebem que uma primeira fase de suas vidas estão chegando ao fim. Há um sentimento agridoce nisso, e músicas como everything comes and goes, babo, sing it all again, courage, hyang e heaven and hell trazem essa contemplação de maneiras diferentes. O álbum fala sobre mudança sem transformar essa mudança em uma ruptura. É possível ver que sentimentos de saudade, incerteza e vulnerabilidade existem, mas também a tentativa de preservar alguma inocência enquanto tudo ao redor se transforma
Visualmente, wave to earth também encontra uma forma muito bonita de traduzir os sentimentos de bad pieces. Os clipes seguem essa atmosfera intimista e contemplativa que atravessa o álbum, com imagens que parecem pequenos fragmentos de memória ou momentos da vida que alguém resolveu guardar. Em vez de construir algo grandioso, existe uma simplicidade muito bonita na forma como eles trabalham os espaços, as pessoas e os pequenos acontecimentos, quase como se estivéssemos acompanhando lembranças enquanto elas acontecem. E acho que isso combina muito com um álbum que fala justamente sobre crescer, olhar para trás e perceber que algumas coisas inevitavelmente ficam pelo caminho. Se as músicas carregam essa sensação agridoce de estar entre aquilo que passou e aquilo que ainda está por vir, os clipes dão imagens para esse sentimento.
E até o título ajuda a entender essa ideia: bad pieces nasceu de uma referência ao Bed Peace de John Lennon e Yoko Ono, e a banda descreveu o álbum a partir da imagem de uma cama em meio a um mundo bagunçado, um pequeno espaço onde ainda é possível encontrar algum tipo de paz. Talvez seja também uma boa descrição para a experiência de ouvi-lo. bad pieces é um álbum para ouvir devagar, prestando atenção nos pequenos detalhes, nas guitarras, nos teclados e nos espaços deixados entre eles. É delicado, melancólico e reconfortante ao mesmo tempo, como encontrar um lugar tranquilo para permanecer por alguns minutos enquanto o resto do mundo continua acontecendo. É um álbum para escutar quando tiver precisando de um abraço e alguém que te diga: vai ficar tudo bem.
O que pegou vocês nesse mês de agosto? Contem pra gente!



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